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Educação deve ser o setor que mais crescerá nas próximas duas décadas dezembro 24, 2008

Posted by portaldoestudante in Notícias.
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A educação já movimenta 90 bilhões de reais por ano no Brasil e deve ser o setor que mais crescerá no mundo nas próximas duas décadas

Três de março de 2002, 6h50 da manhã. É a segunda vez em três semanas que o mexicano Jorge Klor de Alva, presidente mundial da Apollo International, desembarca no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele está abatido e com os olhos pequenos – não se sentiu muito bem no vôo da Swissair que o trouxe de Nova Délhi para São Paulo. “Estamos abrindo nossa primeira universidade na Índia”, diz Klor de Alva, que tem dois doutorados (um em direito e outro em antropologia e história) e já foi professor em Princeton e na Universidade da Califórnia.

“Chegar aqui é levar um choque. Perto da Índia, o Brasil parece um gigante, com um potencial enorme”, diz Klor de Alva. “Mas nunca conseguirá cumprir essa promessa sem educação.” Para ele, mais que uma constatação, trata-se de uma oportunidade para expandir ainda mais seu negócio. A Apollo International é a empresa parceira para investimentos estrangeiros do Apollo Group, maior grupo empresarial de ensino dos Estados Unidos. Com 150 000 alunos e 160 campi, o Apollo Group é uma potência que faturou 770 milhões de dólares no ano passado e tem um valor de mercado de 7,2 bilhões na Nasdaq.

A Apollo International mantém escolas na Holanda e na Alemanha e tem planos para entrar no Chile, no México e na China. Desde junho de 2001, é sócia do Pitágoras, de Minas Gerais. Criado em 1966 pelo professor Walfrido dos Mares Guia e quatro sócios como um cursinho pré-vestibular em Belo Horizonte, o Pitágoras se transformou num dos maiores grupos de ensino do Brasil. Foi Mares Guia quem procurou Klor de Alva há pouco mais de dois anos. “Havia previsto apenas uma hora na agenda para falar com ele, mas a conversa foi tão boa que durou três dias”, diz Klor de Alva, que mora desde criança nos Estados Unidos e está pensando em comprar uma casa ou um apartamento em Minas Gerais. Em agosto passado, ele e Mares Guia abriram uma faculdade que vem sendo vista como um dos maiores experimentos já feitos em educação no país. “Vamos dar escala a um modelo pedagógico e empresarial que permitirá levar uma formação cultural forte e ao mesmo tempo profissionalizante para a massa”, diz Mares Guia. Com isso ele espera elevar o faturamento do Pitágoras dos atuais 75 milhões para 400 milhões de reais em 2010.

A educação como negócio

O mexicano Klor de Alva e o mineiro Mares Guia são exemplos de empresários que apostam numa revolução que está gestando uma das principais fronteiras de negócios do futuro. Trata-se da transformação da educação – encarada tradicionalmente apenas como uma instituição – numa atividade que produza receitas, crie empregos e gere lucros. O grande profeta dessa revolução é Peter Drucker, o maior pensador da administração moderna. “A educação será a indústria de maior crescimento nos próximos 20 anos, acompanhada apenas pela saúde”, afirma Drucker.

Na verdade, esse futuro já chegou. Os Estados Unidos gastam anualmente, computados os desembolsos públicos e privados, quase 1 trilhão de dólares com ensino e formação de sua população, em todos os níveis. Somente o mercado da educação continuada para adultos responde por 6% do PNB americano e se aproxima rapidamente disso em outros países desenvolvidos. No Brasil, a conta da educação representa cerca de 9% do PIB, ou 90 bilhões de reais, segundo estimativas da Ideal Invest, consultoria paulista especializada em negócios do ensino. É um valor próximo do que movimentam – juntos – os setores de telecomunicações e energia. Em 2002, o setor privado deverá ser responsável por 44 bilhões desse total. Só o faturamento das instituições privadas de ensino superior aumentou de cerca de 3 bilhões em 1997 para 10 bilhões de reais no ano passado.

Segundo o nonagenário Drucker – que paralelamente ao estudo da sociedade do futuro vem se dedicando à produção de programas de ensino para comercialização na internet -, o crescimento jamais visto da indústria da educação acontecerá não apenas por uma questão demográfica mas principalmente por causa da sociedade do conhecimento. Trata-se de uma era em que os ativos físicos, como instalações ou máquinas, perderam importância para o ativo intelectual. Nela, o conhecimento se move de modo ainda mais fluido do que o dinheiro e é um bem tão indispensável quanto vendável. “O conhecimento tornou-se o principal recurso econômico e o único marcado pela escassez”, afirma Drucker. “E, como ele se torna rapidamente obsoleto, os trabalhadores que o utilizam precisam retornar regularmente à escola.”

Se no tempo de nossos pais ou avós a educação escolar terminava quando começava o trabalho, na sociedade do conhecimento ela não tem fim. Isso porque a sobrevivência profissional dos trabalhadores do conhecimento – que já representam dois quintos do total da força de trabalho nos Estados Unidos – depende sobretudo de educação, formal e continuada. A primeira serve para que se qualifiquem. A segunda, para que consigam manter-se atualizados – tarefa difícil mesmo para os profissionais mais instruídos, com pós-graduações e Ph.Ds. “Dar seqüência à formação de adultos será uma grande área de crescimento na sociedade do futuro”, diz Drucker. Essa formação, acredita ele, não será oferecida apenas pelas instituições tradicionais, que pela pressão de demanda ou por questões geográficas podem se tornar insuficientemente acessíveis. Ela acontecerá também por meios alternativos – de cursos online a seminários de fim de semana – e nos mais variados lugares – na sala de aula da universidade, no trabalho, em casa.

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