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“Senna me negou um autógrafo e passei a torcer por Piquet” julho 16, 2008

Posted by portaldoestudante in Notícias.
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Em entrevista a ÉPOCA, Felipe Massa conta que, aos 8 anos, desiludiu-se com a atitude de seu ídolo, mas guardou uma lição. “Aprendi a jamais recusar uma palavra a uma criança porque, para ela, você sempre será um exemplo

ÉPOCA – O que está acontecendo de diferente, este ano, em relação ao ano passado, que resultou em você na liderança do campeonato?

Felipe Massa – Neste ano toda a equipe deu um passo adiante, tanto é verdade que estamos na liderança dos dois campeonatos (o de pilotos e o de construtores). Pessoalmente, não mudou nada na minha preparação para as corridas, nem no trabalho com a equipe. Se hoje estamos na liderança do campeonato é porque temos um bom carro e estamos trabalhando bem.

ÉPOCA – Esta temporada trouxe uma grande novidade – o fim do controle de tração. Isso tem sido, até agora, uma vantagem ou um problema para você em relação a seus rivais?

Massa – Nenhum dos dois. Nós, pilotos, rapidamente nos habituamos às novidades. Durante os testes de inverno se dizia que haveria várias saídas de pista pela falta das ajudas eletrônicas, mas se viu que as coisas não mudaram com relação ao passado.

ÉPOCA – Silverstone é uma das únicas pistas onde você nunca subiu ao pódio na F-1. Por que não se dá bem lá? Preferiria um outro circuito para “estrear” na liderança do campeonato?

Massa – No ano passado, tivemos uma ótima chance de chegar mais à frente, mas tive um problema técnico no grid de largada, o que me fez largar no fundo. Apesar desta desvantagem, conseguimos chegar em quinto. Por isso, não é certo dizer que este circuito é indigesto para mim. Quanto à minha estréia como líder do campeonato, não há diferença alguma onde ela aconteça. O que conta é ser primeiro no fim da temporada!

ÉPOCA – Toda sua carreira foi marcada pelo arrojo na busca das ultrapassagens. Manterá esta postura, agora líder, correndo o risco de perder pontos na luta pelo título?

Massa – Procuro sempre ser veloz, mas sei bem que, certas vezes, é melhor se satisfazer e somar pontos. Foi isto que estava fazendo na última corrida, em Magny-Cours. Kimi era mais rápido do que eu e não conseguiria batê-lo, por isso estava satisfeito com o segundo lugar. Depois ele teve um problema e eu pude aproveitar.

ÉPOCA – Você é fanático por corridas desde criança. É preciso ser obcecado para ser campeão?

Massa – Sempre quis ser piloto e sou feliz de ter realizado este desejo. Acho que a vontade é importante para conquistar cada objetivo, principalmente quando as coisas são mais difíceis. Na minha carreira tive momentos em que era mais fácil largar tudo porque não tinha o dinheiro para correr todas as provas. Não larguei e, por isso, fui ajudado pela minha vontade de me tornar um piloto de Fórmula 1.

ÉPOCA – É verdade que na infância Ayrton Senna lhe negou um autógrafo, e por isso você passou a torcer pelo Nelson Piquet? Como foi este episódio?

Massa – É verdade. Eu era um menino de sete ou oito anos e vi Ayrton no bar de um iate club. Me aproximei para pedir um autógrafo e ele recusou. Fiquei muito mal. Depois, passei a torcer pelo Nelson, mas, sobretudo, aprendi uma verdadeira lição de vida: jamais recusar uma palavra a uma criança porque para ela você sempre será um exemplo.

ÉPOCA – Você fala constantemente com Michael Schumacher? Qual foi a última vez e sobre o que conversaram e costumam conversar?

Massa – Conversamos com freqüência. Nos tornamos amigos e com certeza não falamos só de Fórmula 1. Conversamos pela última vez há algumas semanas.

ÉPOCA – Seu preparo físico lhe permite terminar corridas exaustivas sem demonstrar cansaço. O Schumacher, que sempre foi exemplo de excelência física, deu dicas, ajudou também nisso?

Massa – Uma corrida de Fórmula 1 exige um esforço físico muito intenso. Faço uma preparação específica para dar sempre o máximo durante a prova, mesmo com as diversas condições de clima que se pode encontrar. Michael foi um dos primeiros pilotos a trabalhar esse aspecto e seguramente foi útil para mim ver de perto como ele era meticuloso na preparação física e mental.

ÉPOCA – Você já discutiu em público com Fernando Alonso. É preciso se impor fora da pista para ter sucesso dentro dela na F-1?

Massa – A discussão com Fernando em Nürburgring aconteceu no calor logo depois do fim da corrida. Esclarecemos e depois tudo voltou a ser como antes. Não sou uma pessoa que quer se impor a todo o custo.

ÉPOCA – Você é melhor piloto que Kimi Raikkonen?

Massa – Não é uma pergunta que se deva fazer a mim…

ÉPOCA – No início do ano houve rumores de que você seria substituído na Ferrari. Como lidar com esse tipo de pressão?

Massa – Eram só os rumores que nascem quando os resultados não aparecem, mas para mim não fez diferença. Me acostumei, isso não mexe comigo. O que conta é a opinião da equipe, e eu sabia bem o que pensavam as pessoas da Ferrari.

ÉPOCA – Você é religioso?

Massa – Sou católico, fui batizado, mas não sou de freqüentar igreja. Mesmo assim, me considero um cara religioso, que reza todas as noites antes de dormir e na véspera das corridas. Não peço nada, a não ser proteção, e sempre agradeço por tudo o que a vida me proporcionou.

ÉPOCA – Já é famosa sua superstição de correr sempre com a mesma cueca. Você tem outros rituais que sempre segue antes das provas?

Massa – Tenho outras superstições que me acompanham há muito tempo. Uma delas é entrar no carro sempre pelo lado esquerdo. Também uso freqüentemente uma calça jeans e um par de tênis que, acredito, me dão sorte. Outra coisa é procurar repetir a rotina de um dia em que tudo deu certo, desde a hora em que saí da cama, por que lado comecei a escovar os dentes, que pé vesti a meia em primeiro lugar….

ÉPOCA – Sua melhor fase como piloto veio depois do casamento. Ser casado ajuda na carreira profissional?

Massa – Não, não mudou nada. Raffaela e eu vivemos juntos há tanto tempo que na minha rotina e na minha cabeça não faz diferença ser casado. Tê-la por perto me dá uma grande força e muita tranqüilidade, mas já era assim antes de casar.

ÉPOCA – Pensa em ser pai em breve?

Massa – Bem que eu gostaria. Se dependesse de mim, não esperaria muito para ter o primeiro filho. A Raffa é que está segurando um pouco porque acha que ainda não é o momento.

ÉPOCA – Dizem que pilotos correm menos riscos depois que se tornam pais. Como encara essa questão?

Massa – Não acho que se acelere menos depois de se tornar pai. Basta ver o Schumacher: teve a primeira filha quando era bicampeão, depois parou de correr tendo mais um filho e com cinco campeonatos a mais!

ÉPOCA – Você escapou ileso de dois acidentes sérios na F-1 em 2004 (em testes em Barcelona e no GP do Canadá) e, por questão de minutos, livrou-se da batida e do incêndio que matou 11 pessoas no túnel Gotthard em 2001. Essas coisas mexem com sua cabeça?

Massa – Não me imagino como um sobrevivente. Não me envolver no acidente do túnel foi pura e simples coincidência. Sei bem que os incidentes podem sempre ocorrer, não só guiando um Fórmula 1, mas também na vida de todos os dias. Se começar a pensar que é preciso prestar atenção a isso ou aquilo, ou acreditar em coincidências e coisas do tipo, não se vive mais.

ÉPOCA – Você é fã da série 24 Horas e do personagem Jack Bauer. Que qualidades você identifica nele que você aprecia?

Massa – Não tenho um personagem preferido, mas a série me atrai muito. Quando posso, não perco um episódio. Tem um grande ritmo, com ótimos atores.

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