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Posts de Julho 16th, 2008

Confira dicas de relaxamento para antes do vestibular

Publicado por portaldoestudante em Julho 16, 2008

Aulas pela manhã, de segunda a sábado, às vezes aos domingos também. Estudar todo dia, à tarde e à noite, e para os mais exagerados, pela madrugada. Horas sentado assistindo a explicações, fazendo anotações e cálculos.

 

A rotina de um estudante pode parecer monótona, mas tem um objetivo: a preparação para os temidos vestibulares, as complexas provas de admissão nas instituições de ensino superior brasileiras. Não bastasse a memorização de fórmulas, datas e regras para uma boa prova – o que, por si só, já é cansativo – a maior vilã para qualquer candidato sempre foi a mesma: a ansiedade.

 

Pessoas ansiosas, ao se depararem com grandes exames como os do vestibular, podem desencadearsurtos psicóticos ou crises neuróticas, a depender da fragilidade do candidato. Esses processos prejudicam e muito a realização de uma prova tranqüila.

 

processos que vão de má digestão, passando por psoríase, gastrites, depressão e até mesmo

  

Segundo o psicólogo André Barreto Prudente, as atividades de relaxamento física e mental podem ajudar o vestibulando a fazer uma boa prova. “O stress do vestibular provoca uma tensão muscular e diminui a capacidade de concentração e memória”, conta André.

 

“O relaxamento físico ajuda desbloqueando os pontos de tensão muscular, e o mental, diminuindo a ansiedade e os pensamentos que geram stress e tensão”, complementa o psicólogo.

 

 

Confira algumas atividades que podem ajudar os candidatos a diminuírem a tensão:

 

- Conversar. Nada melhor que sentar com algum amigo, ente querido ou mesmo um psicólogo e desabafar tudo que está se sentindo;

 

- Fazer yôga, tai-chi chuan ou alguma atividade física de baixo impacto;

 

- Desenhar, pintar, fazer colagem, esculturas em argila, entre outras atividades gráfico-expressivas;

 

- Alimentar-se corretamente;

 

- Ouvir música e assistir a um bom filme;

 

- Meditar.

 

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Malhação Cerebral

Publicado por portaldoestudante em Julho 16, 2008

Como anda sua malhação? As pernas estão durinhas, a barriguinha bem definida e o braço bem torneado? Ótimo. E o cérebro? Também está malhadíssimo? A pergunta pode parecer inusitada, mas tem fundamento. Cada vez mais a ciência confirma a importância de se exercitar tal órgão para que as potencialidades de cada um, da memória à coordenação, sejam desenvolvidas ao máximo. 

Não se trata, é claro, de um trabalho muscular, até porque o cérebro não é um músculo. Na verdade, os pesquisadores defendem que é preciso manter constantemente a atividade dos neurônios (as células nervosas do órgão). 

Assim, o cérebro fica afiado e não atrofia, como um músculo que não é usado. A malhação, nesse caso, é feita com estímulos frequentes, como aprender um novo movimento de dança, ler sobre um assunto com o qual não se está habituado ou simplesmente mudar o caminho do escritório até a casa. Atitudes como essas, de acordo com os cientistas, são capazes de aumentar o poder de raciocínio, a concentração e até habilidades como desenhar e escrever.

A mais nova prova de que exercitar a mente é fundamental para a juventude do órgão foi publicada no jornal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Pesquisadores daquele país mostraram que pessoas com o hábito contínuo de ler, jogar xadrez, fazer palavras cruzadas ou dançar estão duas vezes mais protegidas do mal de Alzheimer – doença neurodegenerativa que pode surgir com o envelhecimento – do que as que passam a vida acomodadas. 

Os cientistas entrevistaram os familiares de 193 pacientes com o problema para identificar os hábitos culturais dos participantes e também conversaram com 358 pessoas sãs. Todos tinham cerca de 70 anos. Eles concluíram que quem sofre do mal geralmente costumava passar horas diante da TV ou ao telefone, enquanto os voluntários saudáveis sempre exercitaram o cérebro. Os cientistas acreditam que os estímulos tiveram papel importante na proteção do cérebro contra a doença ao manter os neurônios ativos e saudáveis.

Aeróbica – A tendência de exercitar o órgão é tão forte que até uma linha de pesquisa batizada de neuróbica foi criada. Seria uma espécie de aeróbica dos neurônios. A técnica propõe uma série de atividades para ativar as células nervosas. O mais recente reforço na área é o livro Mantenha o seu cérebro vivo (ed. Sextante). Os autores são Manning Rubin, supervisor de uma agência de marketing de Nova York, e Lawrence Katz, professor de neurobiologia da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

O livro ensina 83 exercícios que estimulam nossos sentidos – audição, tato, visão, paladar e olfato. O leitor pode treinar sua mente com atos como escolher frutas na feira apenas pelo cheiro, tomar banho de olhos fechados ou tentar escovar os dentes com a mão que nunca é utilizada para realizar essa  tarefa. A princípio, as atividades são até prosaicas. Mas é justamente nesse fato que se encontra o segredo, de acordo com o autor. Para ele, é importante tentar modificar o que se faz habitualmente. “Em situações de rotina, as atitudes são quase subconscientes e costumam ser praticadas com um mínimo de energia cerebral, proporcionando pouco exercício à mente”, justifica Katz. Por isso é preciso ousar

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“Senna me negou um autógrafo e passei a torcer por Piquet”

Publicado por portaldoestudante em Julho 16, 2008

Em entrevista a ÉPOCA, Felipe Massa conta que, aos 8 anos, desiludiu-se com a atitude de seu ídolo, mas guardou uma lição. “Aprendi a jamais recusar uma palavra a uma criança porque, para ela, você sempre será um exemplo

ÉPOCA – O que está acontecendo de diferente, este ano, em relação ao ano passado, que resultou em você na liderança do campeonato?

Felipe Massa – Neste ano toda a equipe deu um passo adiante, tanto é verdade que estamos na liderança dos dois campeonatos (o de pilotos e o de construtores). Pessoalmente, não mudou nada na minha preparação para as corridas, nem no trabalho com a equipe. Se hoje estamos na liderança do campeonato é porque temos um bom carro e estamos trabalhando bem.

ÉPOCA – Esta temporada trouxe uma grande novidade – o fim do controle de tração. Isso tem sido, até agora, uma vantagem ou um problema para você em relação a seus rivais?

Massa – Nenhum dos dois. Nós, pilotos, rapidamente nos habituamos às novidades. Durante os testes de inverno se dizia que haveria várias saídas de pista pela falta das ajudas eletrônicas, mas se viu que as coisas não mudaram com relação ao passado.

ÉPOCA – Silverstone é uma das únicas pistas onde você nunca subiu ao pódio na F-1. Por que não se dá bem lá? Preferiria um outro circuito para “estrear” na liderança do campeonato?

Massa – No ano passado, tivemos uma ótima chance de chegar mais à frente, mas tive um problema técnico no grid de largada, o que me fez largar no fundo. Apesar desta desvantagem, conseguimos chegar em quinto. Por isso, não é certo dizer que este circuito é indigesto para mim. Quanto à minha estréia como líder do campeonato, não há diferença alguma onde ela aconteça. O que conta é ser primeiro no fim da temporada!

ÉPOCA – Toda sua carreira foi marcada pelo arrojo na busca das ultrapassagens. Manterá esta postura, agora líder, correndo o risco de perder pontos na luta pelo título?

Massa – Procuro sempre ser veloz, mas sei bem que, certas vezes, é melhor se satisfazer e somar pontos. Foi isto que estava fazendo na última corrida, em Magny-Cours. Kimi era mais rápido do que eu e não conseguiria batê-lo, por isso estava satisfeito com o segundo lugar. Depois ele teve um problema e eu pude aproveitar.

ÉPOCA – Você é fanático por corridas desde criança. É preciso ser obcecado para ser campeão?

Massa - Sempre quis ser piloto e sou feliz de ter realizado este desejo. Acho que a vontade é importante para conquistar cada objetivo, principalmente quando as coisas são mais difíceis. Na minha carreira tive momentos em que era mais fácil largar tudo porque não tinha o dinheiro para correr todas as provas. Não larguei e, por isso, fui ajudado pela minha vontade de me tornar um piloto de Fórmula 1.

ÉPOCA – É verdade que na infância Ayrton Senna lhe negou um autógrafo, e por isso você passou a torcer pelo Nelson Piquet? Como foi este episódio?

Massa – É verdade. Eu era um menino de sete ou oito anos e vi Ayrton no bar de um iate club. Me aproximei para pedir um autógrafo e ele recusou. Fiquei muito mal. Depois, passei a torcer pelo Nelson, mas, sobretudo, aprendi uma verdadeira lição de vida: jamais recusar uma palavra a uma criança porque para ela você sempre será um exemplo.

ÉPOCA – Você fala constantemente com Michael Schumacher? Qual foi a última vez e sobre o que conversaram e costumam conversar?

Massa – Conversamos com freqüência. Nos tornamos amigos e com certeza não falamos só de Fórmula 1. Conversamos pela última vez há algumas semanas.

ÉPOCA – Seu preparo físico lhe permite terminar corridas exaustivas sem demonstrar cansaço. O Schumacher, que sempre foi exemplo de excelência física, deu dicas, ajudou também nisso?

Massa – Uma corrida de Fórmula 1 exige um esforço físico muito intenso. Faço uma preparação específica para dar sempre o máximo durante a prova, mesmo com as diversas condições de clima que se pode encontrar. Michael foi um dos primeiros pilotos a trabalhar esse aspecto e seguramente foi útil para mim ver de perto como ele era meticuloso na preparação física e mental.

ÉPOCA – Você já discutiu em público com Fernando Alonso. É preciso se impor fora da pista para ter sucesso dentro dela na F-1?

Massa – A discussão com Fernando em Nürburgring aconteceu no calor logo depois do fim da corrida. Esclarecemos e depois tudo voltou a ser como antes. Não sou uma pessoa que quer se impor a todo o custo.

ÉPOCA – Você é melhor piloto que Kimi Raikkonen?

Massa - Não é uma pergunta que se deva fazer a mim…

ÉPOCA – No início do ano houve rumores de que você seria substituído na Ferrari. Como lidar com esse tipo de pressão?

Massa – Eram só os rumores que nascem quando os resultados não aparecem, mas para mim não fez diferença. Me acostumei, isso não mexe comigo. O que conta é a opinião da equipe, e eu sabia bem o que pensavam as pessoas da Ferrari.

ÉPOCA - Você é religioso?

Massa - Sou católico, fui batizado, mas não sou de freqüentar igreja. Mesmo assim, me considero um cara religioso, que reza todas as noites antes de dormir e na véspera das corridas. Não peço nada, a não ser proteção, e sempre agradeço por tudo o que a vida me proporcionou.

ÉPOCA – Já é famosa sua superstição de correr sempre com a mesma cueca. Você tem outros rituais que sempre segue antes das provas?

Massa – Tenho outras superstições que me acompanham há muito tempo. Uma delas é entrar no carro sempre pelo lado esquerdo. Também uso freqüentemente uma calça jeans e um par de tênis que, acredito, me dão sorte. Outra coisa é procurar repetir a rotina de um dia em que tudo deu certo, desde a hora em que saí da cama, por que lado comecei a escovar os dentes, que pé vesti a meia em primeiro lugar….

ÉPOCA – Sua melhor fase como piloto veio depois do casamento. Ser casado ajuda na carreira profissional?

Massa – Não, não mudou nada. Raffaela e eu vivemos juntos há tanto tempo que na minha rotina e na minha cabeça não faz diferença ser casado. Tê-la por perto me dá uma grande força e muita tranqüilidade, mas já era assim antes de casar.

ÉPOCA – Pensa em ser pai em breve?

Massa - Bem que eu gostaria. Se dependesse de mim, não esperaria muito para ter o primeiro filho. A Raffa é que está segurando um pouco porque acha que ainda não é o momento.

ÉPOCA – Dizem que pilotos correm menos riscos depois que se tornam pais. Como encara essa questão?

Massa – Não acho que se acelere menos depois de se tornar pai. Basta ver o Schumacher: teve a primeira filha quando era bicampeão, depois parou de correr tendo mais um filho e com cinco campeonatos a mais!

ÉPOCA – Você escapou ileso de dois acidentes sérios na F-1 em 2004 (em testes em Barcelona e no GP do Canadá) e, por questão de minutos, livrou-se da batida e do incêndio que matou 11 pessoas no túnel Gotthard em 2001. Essas coisas mexem com sua cabeça?

Massa – Não me imagino como um sobrevivente. Não me envolver no acidente do túnel foi pura e simples coincidência. Sei bem que os incidentes podem sempre ocorrer, não só guiando um Fórmula 1, mas também na vida de todos os dias. Se começar a pensar que é preciso prestar atenção a isso ou aquilo, ou acreditar em coincidências e coisas do tipo, não se vive mais.

ÉPOCA – Você é fã da série 24 Horas e do personagem Jack Bauer. Que qualidades você identifica nele que você aprecia?

Massa – Não tenho um personagem preferido, mas a série me atrai muito. Quando posso, não perco um episódio. Tem um grande ritmo, com ótimos atores.

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Por que homens procuram travestis?

Publicado por portaldoestudante em Julho 16, 2008

Muitos parecem precisar de uma forma atenuada de sexo com outro homem. A ambiguidade dessa relação sugere muitas outras fantasias

Mendes tem 37 anos, cabeça raspada e brinco na orelha direita. Pelos modos e pela aparência, o rapaz branco de família evangélica não se distingue de outros milhões de jovens paulistanos, exceto por uma particularidade importante: ele namora um travesti, Flávia. Os dois se conheceram há cinco anos no centro de São Paulo e, de lá para cá, constituem um casal. Na semana passada, sentado ao lado de Flávia na sala de um apartamento na Rua General Osório, Mendes explicava, em voz pausada, as bases da relação. “Nosso relacionamento é hétero”, afirma. Isso quer dizer que, no sexo, ele é a parte viril do casal, enquanto Flávia cumpre o papel de mulher. “Mas entre nós não existe só sexo. A gente tem amor e cuida um do outro.” Com cabelos negros e corpo esguio, Flávia ganha a vida se prostituindo nas ruas. Ele trabalha nas ruas como vendedor.

As palavras de Mendes revelam, sem explicar, um dos grandes mistérios da sexualidade moderna: a sedução exercida pelos travestis. Desde meados dos anos 70, quando despontaram nas esquinas das metrópoles brasileiras com saias minúsculas e seios exuberantes, essas criaturas híbridas conquistaram um espaço enorme no imaginário sexual do país. Todos os dias, milhares de homens se esgueiram por avenidas sombrias para comprar o prazer oferecido por seus corpos alterados. O risco envolvido nesse tipo de operação ficou claro há duas semanas, quando Ronaldo Nazário, o jogador de futebol mais famoso do mundo, transformou-se no protagonista de um escândalo que tinha como coadjuvantes três travestis do Rio de Janeiro. Ele foi com o grupo ao hotel Papillon e, durante a madrugada, desentendeu-se com um deles, Andréia Albertini. Acabaram todos na delegacia, de onde a história ganhou o mundo. A avalanche moral que desabou sobre Ronaldo a partir daí foi incapaz de responder à questão mais simples colocada pelo episódio: por que homens adultos e mesmo famosos arriscam segurança e reputação e vão atrás de travestis?

O antropólogo americano Don Kulick passou um ano vivendo com travestis em Salvador, sabe muito de seu cotidiano e mesmo de suas preferências íntimas. Mas não se arrisca a explicar quem são seus clientes. “Essa é uma grande incógnita. Embora acompanhasse os travestis todas as noites, não consegui distinguir um cliente típico”, diz. O livro de Kulick, professor da Universidade Nova York, sairá em português no fim deste mês, pela editora Fiocruz, com o título Travestis: Prostituição, Sexo, Gênero e Cultura no Brasil. Kulick conseguiu uma descrição razoavelmente rigorosa do que os fregueses exigem dos travestis. Durante um mês, pediu a cinco deles que registrassem o tipo de serviço prestado nas ruas. O resultado de 138 programas: em 52% dos casos os clientes queriam sodomizar, em 19% exigiam sexo oral, 18% queriam fazer aquilo que se costuma chamar de “troca-troca”, 9% pagaram para ser sodomizados e 2% para ser masturbados. “Não é insignificante que 27% dos homens nessa amostragem quisessem ser penetrados por travestis”, escreve s Kulick. “Mas esses homens não são maioria, como os travestis geralmente afirmam.”

‘‘Não é irrelevante que 27% dos homens da amostragem quisessem ser penetrados pelos travestis’’
DON KULICK, antropólogo americano

A confiar apenas no que dizem os travestis, o porcentual de seus clientes que se portam como homossexual passivo é alto. “Nove em cada dez homens querem ser penetrados”, diz Flávia, a namorada de Mendes. “Se o travesti não for bem-dotado e ativo, não ganha a vida na rua.” Exagero? Talvez. Assim como as prostitutas, os travestis têm uma relação antagônica com aqueles que pagam para usar seu corpo. Muitos não suportam exercer o papel viril que se exige deles na prostituição e o fazem com grande sofrimento, porque não encontram outra forma de ganhar a vida. Vingam-se dessa situação degradante com a mesma arma que a sociedade usa para humilhá-los: questionam a hombridade do freguês e o ridicularizam.

O psiquiatra Sérgio Almeida trabalha com travestis em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e sua experiência corrobora em alguma medida a versão de Flávia. Cabe a Almeida a tarefa difícil de distinguir entre os travestis – definidos como homens que gostam de agir e sentir como mulher – e os transexuais, que se sentem mulheres aprisionadas em corpo masculino. Para estes, recomenda-se a cirurgia de troca de sexo. Para os travestis, ela equivale a uma mutilação e pode levar ao suicídio. Almeida gasta dois anos com cada paciente até decidir em que categoria ele se encaixa. “Desde 1997, fizemos 95 cirurgias e não tivemos nenhum problema”, afirma. O pós-operatório mostrou ao psiquiatra que ex-travestis são freqüentemente abandonados por seus parceiros quando perdem a anatomia masculina. E que os operados que insistem em continuar na prostituição perdem também a carteira de clientes. Algo de crucial desapareceu na cirurgia. “Não é verdade que os homens procuram travestis porque estes se parecem mulheres”, diz ele. “Eles querem o algo mais que as mulheres não têm.”

Os próprios envolvidos têm opiniões diferentes. Um leitor anônimo de epoca.com.br enviou depoimento no qual afirma, basicamente, que os travestis são a melhor opção sexoeconômica. Diz ele: “Já saí com vários travestis. O que me atraiu foi justamente o desejo físico pelos bumbuns e seios avantajados. Ficar com uma travesti para mim é conseguir a baixo preço uma mulher de porte e formas que eu jamais conseguiria pagar ou namorar”. Márcia, travesti paulista cuja foto abre esta reportagem, repele qualquer tentativa de analisar os homens com quem sai voluntariamente. “Para mim, homens que saem com travestis são heterossexuais de cabeça aberta, que topam qualquer coisa”, afirma. Advogado, casado, pai de uma moça, diz que tem impulsos de vestir-se e agir como mulher desde criança, mas que isso nunca o impediu de ter relações normais com mulheres: “Quando saio com um homem, ele não importa. O que me interessa é reforçar minha identidade de mulher”.

O mistério em torno dos homens que procuram travestis é proporcional à ignorância que cerca os próprios travestis. Como grupo populacional, eles são escarçamente estudados: não se tem a menor idéia de quantos sejam, no mundo ou no Brasil. Os líderes das organizações de travestis estimam que haja 5 mil ou 6 mil deles no Rio de Janeiro e uma quantidade muito maior – fala-se em 30 mil – em São Paulo. Nenhuma ciência ampara essas estimativas. Sabe-se que há travestis de Porto Alegre a Manaus, inclusive em cidades pequenas. Tem-se a impressão, entre os que lidam com o assunto, que o Brasil é o líder mundial nessa categoria – e o principal exportador para os países europeus, sobretudo Itália e Espanha. “O Brasil tem a maior população mundial de travestis e o maior número de travestis per capita”, afirma Kulick. Trata-se de uma opinião bem informada, mas é apenas opinião. Líderes de organizações de travestis como Keila Simpson, presidente da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais, querem que o censo inclua perguntas que permitam quantificar os diferentes grupos sexuais do país. “Como se pode dirigir políticas públicas a uma população de tamanho ignorado?”, diz.

A palavra-chave quando se trata de explicar a atração exercida pelos travestis parece ser ambigüidade. Eles são percebidos simultaneamente como homem e mulher, uma incongruência que mexe com as profundezas da psique humana. “O travesti mobiliza o desejo como mobiliza a repulsa”, afirma a psicanalista carioca Regina Navarro Lins. Outra psicanalista, Maria Rita Kehl, vê duas razões no fascínio pelos travestis. A primeira é que, por ser uma mulher com pênis, ele captura os restos das fantasias sexuais infantis. A outra está no fato de os travestis encarnarem a feminilidade de uma forma absoluta, que nenhuma mulher contemporânea aceitaria. “Só um travesti saberia ser tão feminino quanto quer a fantasia de alguns homens”, diz Maria Rita. “Se alguém sabe o que é ‘ser mulher de verdade’ (uma ficção masculina), é justamente o travesti.” Os próprios travestis são taxativos ao afirmar que seus fregueses procuram neles a diferença: a mulher com falo, a fantasia, o risco. “Transgressão é essencial. O proibido atrai”, afirma Marjorie, travesti com 20 anos de experiência nas ruas, que hoje trabalha na Secretaria de Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro. “As coisas que se dizem sobre os homens que saem com travestis são lendas machistas.”

Paira sobre essa discussão uma palavra que os psicanalistas detestam: patologia. Sim, as pessoas têm o direito inalienável de manter relações sexuais com quem quiserem, desde que haja consentimento mútuo. Posto isso, cabe a pergunta: está bem de cabeça um homem casado (como parece ser a maior parte dos clientes dos travestis) que abre a porta de seu carro na porta do Jockey Club, em São Paulo, e paga R$ 40 por uma hora de sexo com um homem que parece ser mulher? Os especialistas não têm uma resposta unânime a isso.

“Só um travesti saberia ser tão feminino quanto quer a fantasia de alguns homens”, diz uma psicanalista

Liberais dizem que, bolas, desejo é desejo, e não se pode explicar ou reprimir. Há que aceitar. “Entendo que os homens que só se realizam sexualmente com travestis possam estar mal resolvidos em sua orientação sexual”, diz Maria Rita Kehl. “Mas considerar que todos os que gostam de travestis são homossexuais acovardados é uma redução preconceituosa.” Na outra ponta, fala-se em sofrimento e confusão por trás dessa forma específica de prazer. “Para alguns homens é patológico”, afirma o psicanalista Oswaldo Rodrigues, do Instituto Paulista de Sexualidade. “Muitos fazem isso num impulso de autodestruição.”

Há os incapazes de lidar com seu próprio desejo por outros homens. Há os que buscam cumprir seu “papel social” no corpo feminilizado dos travestis. Há de tudo, e nem tudo é a festa do desejo que a modernidade implicitamente recomenda. Onde está o limite? Na dor. De acordo com o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa, com mais de 30 anos de experiência terapêutica, muitos homens que saem com travestis o procuram em estado de sofrimento. Eis o que diz a respeito a psiquiatra Carmita Helena Abdo, que coordena o Projeto de Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo: “Se as pessoas fazem sexo responsável, não estão sofrendo e não me procuram, não quero normatizar a vida de ninguém”.

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“Não conte que traiu”

Publicado por portaldoestudante em Julho 16, 2008

Segundo terapeuta americana, nem quem deseja continuar com o parceiro nem quem quer abandoná-lo deve revelar o adultério
Filha de judeus sobreviventes de campos de concentração, a psicóloga Mira Kirshenbaum nasceu no Uzbequistão, em 1946, e viveu num campo de refugiados até os quatro anos, quando emigrou para os Estados Unidos com os pais. Os traumas da guerra ficaram enraizados em sua infância, mas sua reação diante do sofrimento não foi o rancor. Ela diz que o fato de sua família ainda estar viva a motivou a trazer alívio às pessoas. Em seu novo livro When good people have affairs (“Quando as pessoas boas traem”, ainda sem tradução no Brasil), Mira lista 17 motivos que levam as pessoas a procurar uma relação extraconjugal e conclui que, às vezes, a traição pode ser a chave para a reconstrução de um relacionamento. Ela garante que a infidelidade, e sim uma defesa do amor. “Na traição, procuramos o que nos falta. Se soubermos encontrar isso no parceiro, não teremos vontade de trair”, diz. Nesta entrevista a ÉPOCA, Mira explica por que quase metade das pessoas trai e fala sobre o que fazer depois que uma terceira pessoa entrou no relacionamento.
ENTREVISTA MIRA KIRSHENBAUM
QUEM É
Nascida no Uzbequistão, mudou-se para os Estados Unidos com 4 anos. Filha de judeus sobreviventes dos campos de concentração, morou em campo de refugiados no período pós-guerra. Casada, tem 62 anos, dois filhos e uma neta. É mestre em psicologia pela Universidade de Nova York e autora de dez livros sobre relacionamento.
ÉPOCA - Em seu livro, a senhora diz que ter um caso extraconjugal pode ser a melhor maneira de saber o que realmente queremos. Como?

Mira Kirshenbaum – A traição pode ter o poder de tirar a pessoa da inércia. Muitos acham seus casamentos sufocantes e, nesses casos, uma relação extraconjugal é a primeira oportunidade em muito tempo de explorar quem a pessoa realmente é e o que ela busca. Com essa experiência, o indivíduo percebe que é livre para fazer escolhas, que existem outras possibilidades. A traição é sempre uma investigação, uma tentativa de ver se as coisas poderiam ser melhores com outras pessoas.

ÉPOCA - A traição é positiva?

Mira – Trair seu parceiro é quase sempre destrutivo e doloroso demais para valer a pena. Em alguns casos, porém, pode ajudar as pessoas a se dar conta de que estão em um casamento ruim. Em outros casos, podem ajudar as pessoas a perceber que o companheiro é, de fato, a pessoa com quem devem ficar. Ter um caso fora do casamento é uma maneira confusa e desajeitada de as pessoas encontrarem seus caminhos.

ÉPOCA - A senhora disse que, se alguém quiser reconstruir o casamento, não deve contar ao parceiro sobre a traição. As mentiras são necessárias para manter a relação?

Mira – Quanto menos mentira, melhor. Um casal deve ser franco com o outro, mas existem certos segredos que devem ser mantidos. Imagine que um homem fantasie com a Gisele Bündchen quando faz amor com sua mulher. Que bem ele fará a ela se contar esse segredo? Qual seria o objetivo de contar que você se envolveu com outra pessoa? O critério para se contar segredos é avaliar a dor que a revelação pode causar. A regra moral é não machucar ninguém.

ÉPOCA - Mas revelar a traição não poderia ser um sinal de mudança ou confiança?

Mira – Se você está terminando o seu casamento, não fará diferença. Mas se você quiser reconstruir sua relação, contar a traição só irá atrapalhar. A pessoa não ficará tocada pelo seu gesto de revelar tudo. Ela ficará machucada pela traição, e você não precisa magoá-la. Apenas seja sincero consigo mesmo e aponte para qual caminho seguir. Nessas horas, é bom levar em conta que mais vale um divórcio a um casamento destrutivo.

ÉPOCA - Um dos tipos de adultérios que a senhora cita em sua lista é a traição acidental, em que a pessoa está no lugar errado na hora errada. Não haveria uma predisposições por trás desse “acidente”?

Mira – Quando digo acidental, me refiro a uma série de circunstâncias que, em conjunto, levam alguém a fazer algo que normalmente não faria. Mas não precisa dizer que haveria predisposições por detrás da traição. Afirmar isso é dizer que a pessoa agiu inconscientemente e que a traição foi “sem querer”. Os psicólogos estão cada vez mais céticos sobre o uso do inconsciente como fonte de explicações para as atitudes humanas.

ÉPOCA - Um outro tipo de traição mencionado em seu livro é o “banco ejetor”, quando o parceiro trai para acabar de vez com a relação. Além de ser um ato covarde, é uma forma rude de terminar uma relação. Como pode ser uma atitude de pessoas boas?

Mira – O banco ejetor é freqüentemente a melhor maneira que uma pessoa com medo de lidar com o parceiro encontra para terminar o casamento. Essas pessoas podem ser covardes e desajeitadas, mas isso não significa que sejam más.

ÉPOCA - Qual foi o objetivo de seu novo livro?

Mira – Há dois objetivos principais. O primeiro é o controle de danos. Quero mostrar que uma traição pode ser superada se o casal realmente quiser ficar junto. Quero também diminuir a dor nos corações mostrando que a traição não foi sinal de uma maldade. Muitas vezes é a forma que uma pessoa encontrou para lidar com uma situação desfavorável. Claro, descoberta a traição, o parceiro terá de se mostrar empenhado em reconstruir os laços de confiança e deverá compreender que a dor e a raiva do companheiro não se dissipam facilmente. A antiga visão sobre casos extraconjugais é que eles terminam como acidentes de carro, com sobreviventes feridos e sangrando. Não precisa ser assim. O segundo objetivo do livro é blindar a pessoa contra o remorso destrutivo, que a prende ao passado e a impede de seguir em frente. Após contabilizar os danos da traição, as pessoas têm que buscar a reconstrução. Essa é uma visão nova para muitas pessoas. Se você souber se fechar ao remorso, pode renovar sua vida com todo o amor que procura.

ÉPOCA - O seu livro é sobre pessoas boas que traíram. Quando uma pessoa boa trai, existe sempre um motivo nobre por trás, como autoconhecimento?

Mira – Não podemos ter a idéia que pessoas boas fazem apenas coisas boas e pessoas ruins, apenas coisas ruins. Todos fazemos coisas ruins e isso não significa que sejamos pessoas más. As pessoas boas traem quando não estão felizes no casamento. Elas estão confusas, oprimidas, e ter um caso é uma forma de trazer alívio àquela situação sufocante.

ÉPOCA - E o que são pessoas boas?

Mira – São aquelas que tentam ao máximo fazer as coisas certas. Elas erram, mas se arrependem verdadeiramente quando fazem alguma coisa ruim. Com a minha experiência clínica, sei que as pessoas boas são aquelas que estão realmente horrorizadas com a dor que causaram. Não tiveram um caso porque não ligam para o parceiro, mas porque estavam agoniados. Já uma pessoa ruim não se importa com a pessoa que machucou. Ela só faz o que vem à cabeça, seja lá qual for o custo para os outros.

ÉPOCA - Um caso breve é diferente de um longo?

Mira – Na minha opinião, quem mantém um caso longo não é pior do que quem trai por apenas uma noite. Não existem regras para apontar o que é mais ou menos grave. O que importa é que foi cruzada a barreira do trair ou não trair. Se o seu parceiro se sentiria mais machucado se soubesse que você teve um caso longo, não cabe a mim opinar a respeito. Também não posso dizer que a traição de apenas uma noite não é tão grave assim. O que posso afirmar é que você não pode dizer às pessoas que as duas traições são diferentes. Cada um lida da sua forma com o fato.

ÉPOCA - Quais seriam os limites da traição de uma pessoa boa?

Mira – O motivo é o aspecto crítico. Trair só porque está afim, sem nenhuma preocupação com os sentimentos do parceiro, está muito além do limite.

ÉPOCA - A senhora afirmou que uma das piores coisas para uma pessoa que traiu é a culpa. Mas ela não é um sinal de remorso?

Mira – Ter culpa é bom até um certo ponto. É um sinal de que a pessoa tem norteadores morais. Se você não se sentir culpado após trair, você pode ser um sociopata, alguém incapaz de se importar com os outros. Mas cegar-se pela culpa pode ser muito prejudicial. Pode levar as pessoas a fazerem coisas que não ajudarão. Como, por exemplo, se sentir tão culpado por trair e por isso permanecer no casamento mesmo que ele esteja claramente morto. Ou, então, sentir tanta culpa e não conseguir encarar o parceiro, mesmo que o casamento possa e deva ser salvo. Quando o sentimento de culpa o torturar, não ceda à tentação de contar sobre o affair. A melhor coisa a fazer é procurar um conselheiro sábio e experiente para ajudar a controlar os sentimentos e evitar atitudes precipitadas.

ÉPOCA - O sentimento de fazer algo errado e secreto estimula as pessoas a trair?

Mira – Para algumas pessoas isso pode ser excitante, mas não para a maioria. Na maior parte dos casos, as pessoas estão sufocadas, desesperadas, e podem fazer qualquer coisa. Por isso traem e correm tantos riscos.

ÉPOCA - Relacionamentos abertos são considerados adúlteros? Podem ser saudáveis?

Mira – Um relacionamento aberto não é adultério se realmente for uma escolha mútua verdadeira. Eu, pessoalmente, nunca vi um relacionamento aberto dar certo.

ÉPOCA - Muitos casais só se descobrem verdadeiramente com a convivência diária após o casamento e percebem que as expectativas são diferentes. Como salvar uma relação em que as necessidades dos parceiros são diferentes?

Mira – Com terapia conjugal. É a melhor maneira para casais com problemas conjugais encontrarem seu caminho de volta um para o outro. Sem mediação, os casais não conseguem sair de uma relação ruim, mesmo que eles próprios sejam terapeutas. Odeio ter que dizer que é a única maneira, mas não pode ser feito sem ajuda profissional. É como o trabalho de uma parteira: pode dar certo, mas há muitas maneiras de as coisas darem errado.

ÉPOCA - A senhora disse que cerca de 47% dos homens casados e 35% das mulheres casadas estão propensos a se envolver com outra pessoa. Essa taxa era diferente décadas atrás?

Mira – A grande mudança é a quantidade de mulheres traindo. Elas estão traindo mais. Isso ocorre porque agora elas têm mais oportunidade de trair: estão morando nas cidades e tendo vidas independentes. A natureza humana e a oportunidade são dois fatores determinantes nas taxas de adultério. A natureza humana é a mesma, elas agora têm a oportunidade. Mas se você quer mencionar números importantes, eu diria que há 50% de chance de uma pessoa ser afetada por uma traição durante sua vida afetiva. Como cada um reagirá a isso? É uma coisa terrível, mas que somos obrigados a lidar. Para piorar a situação: como você lida com a possibilidade de pegar uma doença com a traição? Por isso eu digo: não traia, por mais que em alguns casos a traição traga benefícios.

ÉPOCA - Como a traição é vista culturalmente?

Mira – Não existe cultura onde a traição não seja condenada. A diferença está na percepção dos aspectos mais importantes. Em algumas culturas, o mais importante é como a traição é vista pelas outras pessoas. É uma questão de vergonha. A vergonha vivida diante dos olhos da comunidade. Isso está enraizado na cultura mediterrânea, na cultura árabe. Alguns países muçulmanos ainda apedrejam as adúlteras. O que importa é a maneira como você é visto pela sociedade. Em outras culturas, a cultura ocidental principalmente, o conceito de traição está mais ligado à confiança, à capacidade de confiar em outra pessoa para construir algo em comum, à sensação de que a outra pessoa esconde segredos de você. Claro, as coisas não são pretas ou brancas (oito ou oitenta). O pesadelo de todos que conheço que foram traídos é a possibilidade de a comunidade descobrir e, daí, ter de lidar com a piedade deles ou com a sensação de fracasso e inferioridade. Mas a grande diferença multicultural é o senso de qual é o fator predominante.

ÉPOCA - Como a senhora vê os casos de Bill Clinton (ex-presidente americano que teve um caso com uma estagiária da Casa Branca) e Elliot Spitzer (ex-governador de Nova York que saiu com uma prostituta)?

Mira – Todos me perguntam sobre Spitzer. Mas não posso falar sobre a relação das pessoas a não ser que eu as tenha tratado. Não seria ético. O que aprendi em meus 33 anos de prática clínica é que o que você do lado de fora é muito diferente do que se passa por dentro. As pessoas encenam sua vida afetiva e mostram aquilo que querem. Creio que consigo ver com mais facilidade o que se passa dentro das pessoas, mas ainda assim sou consciente de que o que vejo é apenas uma versão. Não fui terapeuta dessas pessoas e o que sei está nos jornais. E assim como há comentários falsos sobre meus livros, sei que foram publicadas muitas coisas equivocadas sobre os dois.

ÉPOCA - A senhora já traiu? Como se sentiu depois?

Mira – Nunca. Sou incapaz de machucar alguém. Não estou me gabando, é a maneira como meu sistema nervoso foi construído. Mas meu marido teve um caso e eu fiquei arrasada. Senti na pele o terrível dano que a traição provoca. Desperdicei muito tempo e me machuquei muito presa à idéia de que ele era uma pessoa ruim. Com o tempo, percebi que ele era o homem bom que sempre conheci. Eu também não estava isenta de culpa no caso. Estava tão voltada para o meu trabalho que me afastei de meu marido e o fiz pensar que eu não ligava para ele. Teria nos ajudado muito se, em vez de brigar, tivéssemos nos esforçado para compreender o que o levou a me trair. Fizemos esse exercício de compreensão depois e estou muito orgulhosa.

ÉPOCA - E o que a senhora aconselharia a quem descobriu que o parceiro andou traindo?

Mira – Não faça ou diga nada em um primeiro momento. Acredito em amor verdadeiro e acho que uma relação amorosa pode ser recuperada. Por isso, ache uma pessoa sensata para conversar a respeito. Pense sobre o que você quer: você quer esta pessoa de volta se existir alguma maneira de perdoar e reconstruir a confiança? Depois entenda por que seu parceiro teve um caso. O motivo ajudará você a entender exatamente o que vocês dois devem fazer para melhorar o relacionamento.

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Os alimentos mais saudáveis do mundo

Publicado por portaldoestudante em Julho 16, 2008

Depois de uma extensa pesquisa, o nutricionista americano Jonny Bowden selecionou os ingredientes com maior valor nutricional, que realmente deveriam fazer parte de nossa dieta diária. Alguns são itens que jogamos fora, como as folhas da beterraba, outros, alimentos aos quais não prestamos muita atenção, como a canela

Doutorado em nutrição pela Universidade Clayton pela Saúde Natural, o psicólogo Jonny Bowden dedica-se à pesquisa dos alimentos há duas décadas. Além do livro Os 150 Alimentos mais Saudáveis do Planeta, ele vai lançar, no fim do mês, a obra As Refeições Mais Saudáveis do Mundo. “Quero dizer às pessoas que é possível comer bem, sofisticadamente, explorando inúmeras nuances de sabor e ainda assim ser saudável”, diz. Em entrevista a ÉPOCA, o autor explica como fez a extensa pesquisa que deu origem ao livro e revela quais são os alimentos menos saudáveis, dos quais devemos manter a maior distância possível.

ÉPOCA - O senhor dedicou muito de sua vida à pesquisa dos alimentos. Qual é sua relação com a comida?
Jonny Bowden -
A comida é como os amigos. Assim como há o tipo de amigo com quem você pratica esportes, há aqueles com quem você vai a museus, com quem você troca confidências. Assim são os alimentos. Alguns possuem altas concentrações de proteínas, mas são pobres em fibras. Alguns são ricos em antioxidantes, mas não possuem Omega 3. Precisamos de uma grande variedade de alimentos – assim como de amigos – para conseguir tudo de que precisamos. O segredo é a variedade de bons alimentos. A minha lista (confira abaixo) considera alimentos que normalmente não pensamos em comer. É como um investidor que percebe a existência de uma boa aplicação que era subestimada e não fazia parte de sua carteira. Não quer dizer que são os melhores ou os únicos, mas são muito bons e não recebem a devida atenção. 
 
ÉPOCA - Como o senhor fez a lista com os 150 alimentos mais saudáveis?
Bowden –
Meus assistentes e eu pegamos todos os alimentos naturais possíveis e comparamos seus valores nutricionais. Quais possuíam o maior nível de determinado nutriente, quais possuíam a maior variedade de nutrientes? Quais tinham baixos níveis de nutrientes? Fiz isso com todos os vegetais, todas as fontes de proteínas, todos os grãos – apesar de não haver muitos, selecionei os mais consumidos, com menor potencial para causar alergias e com um alto teor de proteínas. Baseados nesses parâmetros, fomos diminuindo a lista. Mas 150 alimentos é um número muito grande. Cotidianamente, as pessoas comem cerca de 10 a 15 alimentos apenas. 
 
ÉPOCA - Quais são os melhores grãos?
Bowden –
Recomendo a quinua. Apesar de ser uma semente, e não um grão propriamente dito, tem o sabor e o preparo parecido com o de um grão. A quinua contém muitas fibras e proteínas. Também gosto de aveia integral, que tem muitas fibras, proteínas, altas concentrações de minerais e pouquíssimo açúcar. 
 
ÉPOCA - Em que as pessoas devem prestar atenção na hora de comprar alimentos?
Bowden –
Você deve escolher alimentos que passaram por pouco ou nenhum beneficiamento depois da colheita. Quanto mais colorido, melhor, porque a cor é a forma como a natureza põe os nutrientes na comida. Azul, amarelo, verde, vermelho… As cores representam os componentes mais nutritivos dos alimentos. 
 
ÉPOCA - Os alimentos orgânicos são sempre melhores?
Bowden –
Em um mundo ideal, os orgânicos serão sempre melhores. No mundo real, no entanto, as coisas não são necessariamente assim. Não sou tão radical quanto alguns nutricionistas. Primeiro, porque produtos orgânicos são sempre mais caros. Em segundo lugar, alguns alimentos – como o abacaxi e a banana – possuem cascas grossas como proteção, que são descartadas para o fruto ser comido. Nesse caso, não faz tanta diferença se o produto é orgânico ou não. Se eu tiver de gastar meu dinheiro com alimentos orgânicos, vou escolher aqueles mais propensos a acumular pesticidas, como morangos, tomates e verduras. 
 
ÉPOCA - Além desses que o senhor mencionou, quais produtos orgânicos que você compra?
Bowden -
Além dos que citei, eu diria carne, peixe e café, porque podem conter níveis elevados de produtos químicos. 
 
ÉPOCA - Por que as pessoas comem menos alimentos saudáveis do que deveriam?
Bowden –
Porque os alimentos industrializados têm um gosto muito bom. A indústria adiciona muito açúcar e sal nos alimentos, intensificando as nuances de sabor. Encontramos comidas com dosagens inconcebíveis de adoçantes e sal. São alimentos vendidos em qualquer lugar, com comerciais em todas as mídias possíveis. As pessoas são seduzidas pelo sabor, pelos estímulos sugeridos nos comerciais. Isso cria uma cultura em que essas comidas se tornam o padrão. É como um vício em drogas. Nos Estados Unidos, uma pessoa comum está exposta a 95 mil comerciais a cada ano, e a maioria deles é de comida. 
 
ÉPOCA - Em seu livro, o senhor afirma derrubar vários mitos sobre a comida. Quais são eles?
Bowden -
Um é que carne é sempre ruim, outro é que soja é sempre bom. As comidas de soja encontradas nos EUA são muito diferentes das que fazem parte do cardápio oriental. A soja tem várias lacunas nutricionais. Não é porque a comida foi feita à base de soja que ela é saudável. Carne de soja, sorvete de soja. Não são comidas saudáveis nem prejudiciais. São alimentos neutros, cujo valor nutricional não é nada excepcional. Muitas pessoas comem alimentos feitos com soja pensando que estão proporcionando um grande bem ao organismo, mas na maior parte das vezes é puro marketing. Recomendo produtos de soja fermentados. Tudo que é natural e fermentado é bom, porque o processo de fermentação cria bactérias que são muito úteis ao organismo. Infelizmente a maior parte dos produtos de soja não é fermentada, mas industrializada. Não quer dizer que sejam alimentos ruins, mas não são exemplos de comidas nutritivas.

Confira a lista dos alimentos para os quais damos pouca atenção, mas deveriam freqüentar o nosso prato mais vezes.

 

1- Sardinha: é rica em proteínas e possui minerais essenciais, como magnésio, ferro e selênio, que têm ação anticancerígena. Esse tipo de peixe também ajuda o organismo a liberar o mercúrio e tem altas concentrações de omega 3, um tipo de gordura “boa”, essencial para o funcionamento do cérebro, do coração e para a redução da pressão arterial. As sardinhas são chamadas de “comida saudável em lata” por Bowden, que aconselha que sejam compradas as preservadas no próprio óleo ou em azeite, quando não puderem ser consumidas frescas.

2- Repolho: as folhas do vegetal contêm grandes concentrações de substâncias antioxidantes e anticancerígenas chamadas de indoles e sulforafanos. Uma pesquisa da Universidade de Stanford, nos EUA, apontou que o sulforafano é a substância química encontrada em plantas que mais eleva o nível de enzimas anticancerígenas no organismo.

3- Folha de beterraba: geralmente jogada fora, é rica em vitaminas, minerais e antioxidantes. Contém carotenóides, pigmento natural dos vegetais que ajuda a proteger os olhos contra o envelhecimento. Bowden também afirma que a beterraba em si também é um dos alimentos mais ricos que existem. As folhas podem ser comidas cruas na salada ou refogadas, como espinafre.

4- Açaí: em suco ou misturado à comida, como é feito no norte do país, o açaí é uma das frutas com maior concentração de antioxidantes. Também é rica em gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas, que são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim e na prevenção de doenças cardíacas. Para Bowden, os brasileiros que não consomem a fruta freqüentemente desperdiçam a benção que a natureza lhes proporcionou.

5- Goiaba: rica em fibras, minerais e vitaminas. Também possui grandes quantidades de licopeno, o mais antioxidante entre todos os carotenóides. O licopeno auxilia na prevenção do câncer de próstata e reduz os riscos de surgimento de catarata e doenças cardiovasculares.

6- Cereja fresca: tem altas concentrações de antocianina, um antiinflamatório natural. Deve ser comida ao natural ou misturada com iogurte ou vitaminas.

7- Chocolate meio-amargo: rico em flavanóides, que diminuem a pressão sangüínea e promovem o bom funcionamento do sistema circulatório, tem altas concentrações de magnésio, um mineral importante para mais de 300 processos biológicos do organismo.

8- Frutas oleaginosas: são as castanhas, as nozes e as amêndoas. Bowden afirma que todas trazem inúmeros benefícios, apesar do elevado teor calórico. Possuem muitos minerais, proteínas e altos níveis de Omega 3 e Omega 9.

9- Canela: ajuda a controlar o nível de açúcar e de colesterol no sangue, o que previne o risco de doenças cardíacas. Para usufruir dos benefícios da especiaria, basta polvilhar um pouco de canela em pó no café ou no cereal matinal.

10- Semente de abóbora: é uma grande fonte de magnésio. Esse mineral é tão importante, explica Bowden, que estudiosos franceses concluíram que homens com altas taxas de magnésio no sangue têm 40% menos chances de sofrer uma morte prematura do que aqueles com baixos índices. Para consumi-las, toste-as no forno e coma-as por inteiro, inclusive com a casca, que é rica em fibras.

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O aquecimento global pode engordar!

Publicado por portaldoestudante em Julho 16, 2008

Pelo menos, engorda os atuns. É o que diz o site da Radio Austrália. De acordo com o veículo, o aquecimento global tornou o peixe maior e com mais carne. O representante de uma associação australiana relacionada ao atum afirmou que a pesca deste ano foi excelente, pois os peixes estão com uma ótima qualidade e com tamanho surpreendente.
Mas o que isso tem a ver com o aquecimento global? Parece que o fenômeno influenciou na cadeia alimentar do atum que vive nas águas da Oceania. A lógica é a seguinte: com a temperatura das águas do sul mais elevada, os nutrientes ficam mais próximos da superfície. Os oceanógrafos da região nunca presenciaram ventos do sudeste como os de agora, o que beneficiou com que os alimentos fossem direcionados para o local onde os atuns estão concentrados. Como eles estão no topo da cadeia alimentar, foram os mais beneficiados.
Isso é bom? Pode ser. Mas o peixe já está em vias de sumir, graças à pesca predatória que reduziu os estoques do atum-azul (o mais comum na região) em 10%. A grande descoberta do homem, junto com o mar, pode desaparecer, embora esteja bem nutrido.

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