Polícia tem mais provas contra pai e madrasta de Isabella
Tempo entre chegada da família e o crime derruba, segundo a investigação, de que uma pessoa desconhecida tenha entrado no local do crime
Os policiais que investigam a morte da menina Isabella Nardoni consideram ter encontrado mais provas que reforçam a tese de que a menina foi estrangulada pela madrasta e atirada pela janela pelo pai.
Para tirar as últimas dúvidas, decidiram fazer uma reconstituição do crime. O casal de suspeitos será convocado a participar, mas eles têm o direito de se recusarem. A reconstituição deve acontecer na sexta-feira.
Isabella morreu ao ser atirada do apartamento onde vivia seu pai, Alexandre Nardoni, a segunda mulher dele, Anna Julia Jatobá, e dois filhos do casal. Os cinco haviam chegado no prédio, que fica na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo, no dia 29 de março, sábado, à noite, entre 23h10 e 23h37, dependendo de quem dá a informação. Às 23h49, depois da queda da menina, Nardoni e a mulher fizeram o pedido de socorro ao Corpo de Bombeiros.
Nesse período, a polícia afirma ter chegado a várias conclusões. Segundo o Diário de S. Paulo, com base em informações do aparelho GPS do carro da família, concluiu que, entre a chegada da família ao prédio e a chamada da Unidade de Resgate para socorrer a criança, passaram-se 12 minutos. e não quase 40, como disse um dos suspeitos.
Segundo a investigação, nesse tempo, aconteceram, entre outros fatos, os seguintes. O pai ou a mãe ou ambos levaram Isabella ao apartamento. Lá ela foi estrangulada por cerca de três minutos, a menina levada para o seu quarto, a tela foi cortada e Isabella foi arremessada pela janela, os pais subiram ao apartamento e depois desceram para telefonar, primeiro para avisar os pais e depois para chamar o resgate.
Pela versão dos pais, que atribuem a morte a uma terceira pessoa, precisaria ser incluído também, o tempo que o tal suposto assassino levaria para deixar o apartamento sem ser apanhado.
A polícia considera praticamente impossível, por isso, a versão de que foi uma terceira pessoa que tenha praticado o crime. Outro fato que reforça a tese é que foram feitas tentativas de apagar manchas de sangue do chão e do carro, e foram lavadas uma fralda e uma toalha usadas para limpar um corte de dois centímetros na testa de Isabella.
Também aponta na mesma direção a presença de micropartículas de náilon e fuligem da tela presentes na camisa que Alexandre Nardoni. usava naquele dia. Segundo os peritos, os vestígios só poderiam ficar gravados na roupa se o suspeito tivesse pressionado o corpo fortemente contra a rede. Os peritos afirmam que isso é compatível com a hipótese de o pai ter se debruçou para jogar a filha. Há também uma pegada no lençol compatível com seu sapato.
O laudo mostra que Isabella foi colocada no buraco da tela com as pernas flexionadas e jogada pelas mãos. Para cortar a tela, o criminoso subiu nas camas dos irmãos da menina, escorregou duas vezes e se ajoelhou. Pelo rastro de sangue no apartamento, feito a partir de uma altura de 1,25 metro do chão, a perícia conclui que Isabella estava no colo de uma pessoa com estatura compatível com a do pai.
Na sexta-feira, após 20 dias de investigação, Nardoni e Jatobá foram indiciados por homicídio doloso triplamente qualificado. O inquérito continua e por isso o Ministério Público ainda não fez a denúncia.
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